quinta-feira, 2 de maio de 2013

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A Tentação De Cristo (sermão)




Uma exposição confortadora de Mateus 4, concernente a tentação de Cristo no deserto.
Ouça esse sermão narrado, aqui.


por John Knox

A causa que me moveu a tratar desta passagem das Escrituras, foi para que aqueles que, pela inescrutável providência de Deus, caem em diversas tentações, não se julguem, por causa disso, menos aceitáveis na presença de Deus; mas, pelo contrário, tendo o caminho preparado para vitória através de Cristo Jesus, não temam, acima da medida, as astutas investidas da ardilosa Serpente, Satanás; mas, com alegria e coragem, tendo tal Guia, tal Campeão e tais armas, como as encontradas nesta passagem (se com obediência ouvirmos e crermos verdadeiramente), possam assegurar-se do presente favor de Deus e da vitória final, por meio de Cristo; que, para nossa segurança e livramento, entrou na batalha e triunfou sobre Seu adversário e sobre toda sua fúria, e também, para que as subsequências, sendo ouvidas e entendidas, possam ser melhor guardadas na memória.

Pela graça de Deus, nos proporemos a observar, no trato deste assunto:

I- Primeiro, o significado da palavra tentação e como ela é usada nas Escrituras;

II- Em segundo lugar, Quem é tentado aqui e quando esta tentação aconteceu;

III- Em terceiro lugar, como e por quais meios Ele foi tentado;

IV- E por último, porque Ele deveria experimentar aquela tentação e qual o proveito decorrente deste episódio, para nós.

“Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4.3-4).

O propósito pelo qual o Espírito Santo conduziu Jesus ao deserto para que Ele fosse tentado, é nos fazer entender, através deste fato, que Satanás nunca cessa de se opor aos filhos de Deus, mas continuamente, por um meio ou outro, os conduz e os provoca a algum juízo pecaminoso sobre o Deus deles.

Desejar que pedras se transformem em pães ou que a fome seja satisfeita, nunca foi pecado, nem tão pouco uma opinião pecaminosa sobre Deus, mas, creio que esta tentação foi mais espiritual, mais sutil e mais perigosa. Satanás estava se referindo a voz de Deus que disse ser Cristo Seu Filho Amado.

Contra esta declaração ele luta, como lhe é intrínseco fazer, contra a indubitável e imutável Palavra de Deus; pois sua malícia contra Deus e Seus filhos escolhidos é tal, que para quem Deus declara amor e misericórdia, a estes ele ameaça com desprazeres e maldições; e onde Deus ameaça morte, lá ele é audacioso em declarar vida. Por causa disto Satanás é chamado de “mentiroso desde o princípio” (João 8.44).

Assim sendo, o objetivo de Satanás é levar Cristo a desesperança, para que Ele não creia na voz de Deus, Seu Pai; e este parece ser o significado desta tentação: “Tu ouviste”, Satanás diria, “uma voz dos céus dizer que Tu eras o Amado Filho de Deus, ‘no qual Ele se compraz’ (cf. Mateus 3.17), mas não Te julgarão louco ou um tolo sem juízo, se creres em tal promessa? Onde estão os sinais deste amor? Tu não estás sem o conforto de todas as criaturas? Tu estás pior do que as brutas feras, pois todo dia elas caçam para se alimentar e a terra produz grama e ervas para seu sustento, de forma que nenhuma delas definha ou é consumida pela fome. Mas Tu jejuas há quarenta dias e quarenta noites, esperando sempre algum alívio e conforto dos céus, mas Tua melhor provisão são pedras duras! Se Te glorias em Teu Deus, e crês verdadeiramente na promessa que foi feita, ordena que estas pedras se transformem em pães. Mas, é evidente que Tu não o podes fazer, pois se pudesses, ou se Teu Deus tivesse Te concedido tal privilégio, há muito terias matado Tua fome e não necessitarias suportar este abatimento por falta de comida. Mas vendo que ainda continuas assim e que nenhum mantimento foi preparado para Ti, é presunção acreditar em tal promessa, e por isso, perca a esperança de qualquer socorro das mãos de Deus e proveja para Ti, por qualquer outro meio!”.

Eu usei muitas palavras, mas eu não posso expressar o grande despeito que se esconde nesta tentação de Satanás. Foi uma zombaria de Cristo e de Sua obediência. Foi uma clara rejeição da promessa de Deus. Foi a voz triunfante dele que aparentava ter conseguido a vitória. Oh! Quão amargo este tipo de tentação é; nenhuma criatura pode entender, a não ser os que sentem a dor de tais dardos lançados por Satanás na consciência sensível dos que alegremente descansam e repousam em Deus e nas Suas promessas de misericórdia.

Mas aqui devemos notar a base e o fundamento desta tentação. A conclusão de Satanás é esta: “Tu não és um eleito de Deus, muito menos Seu Filho amado”. Sua razão é esta: “Tu estás em dificuldades e não achas alívio”. Logo, o fundamento da tentação era a pobreza de Cristo e a falta de comida, sem esperança de receber, da parte de Deus, o remédio. É a mesma tentação com a qual o diabo objetou a Cristo por meio dos principais sacerdotes, quando em seu tormento atroz na cruz; eles gritavam: “Se ele é Filho de Deus, deixe que desça da cruz e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se de fato lhe quer bem” (Mateus 27.40,43). Como se dissessem: “Deus liberta os Seus servos dos problemas. Ele nunca permite que os que O temem sejam envergonhados. Mas vemos este homem em angústia extrema. Se Ele é o Filho de Deus, ou ainda um verdadeiro adorador do Seu nome, Deus O livrará desta calamidade. Se não livrá-lO, mas permitir que pereça nesta angústia, então é um sinal seguro de que Deus O rejeitou, como hipócrita, que não terá porção de Sua glória”. Assim, Satanás tem oportunidade para tentar e também para mover outros a julgar e condenar os eleitos de Deus e Seus filhos escolhidos, em função de que lhes sobrevêm muitas angústias.

Aprenderemos, agora, com quais armas devemos lutar contra tais inimigos e assaltos, na resposta de Jesus: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4.4).

A resposta de Cristo prova aquilo que estivemos mencionando antes, pois a menos que o propósito de Satanás tenha sido demover Cristo de toda esperança na providência misericordiosa de Deus concernente a Ele, naquela Sua necessidade, Cristo não respondeu diretamente às palavras de Satanás: “ordene que estas pedras se transformem em pães” (Mateus 4.3). Mas Jesus Cristo, percebendo sua astúcia e malícia sutis, respondeu diretamente ao significado delas, desconsiderando suas palavras. Nesta resposta, Satanás foi tão frustrado, que teve vergonha de replicar além sobre este assunto.

Mas para que você entenda melhor o significado da resposta de Cristo, a expressaremos em outras palavras: “Você labora”, Cristo diria, “em trazer ao Meu coração dúvida e suspeita com relação a promessa de Meu Pai, que foi publicamente proclamada no Meu batismo, por causa da Minha fome e da carência de toda provisão carnal. Você é audacioso em afirmar que Deus não cuida de Mim. Mas você é enganador e sofista corrupto, e seu argumento é vão e repleto de blasfêmias; pois você vincula o amor, misericórdia e providência de Deus, a ter ou carecer da provisão carnal, o que não nos é ensinado em nenhuma parte das Escrituras de Deus; mas, antes, elas expressam o contrário. Como está escrito: ‘Nem só de pão...’, ou seja, a vida e a felicidade do homem não consistem na abundância de coisas corpóreas, pois a possessão delas não abençoa ou torna feliz o homem, nem a falta delas é a causa da sua miséria final; mas a vida do homem consiste em Deus e nas Suas promessas, e os que nelas se apegam sinceramente, viverão a vida eterna. E embora todas as criaturas na terra o desamparem, sua vida corpórea não perecerá até que o tempo apontado por Deus chegue. Pois Deus tem meios para alimentar, preservar e manter, ignorados pela razão humana e contrários ao curso comum da natureza. Ele alimentou Seu povo Israel no deserto quarenta anos sem provisão humana. Ele preservou Jonas na barriga do grande peixe e manteve e guardou os corpos dos Seus três filhos (Sadraque , Mesaque e Abede-Nego) no fogo da fornalha. A razão e o homem natural não viam saída nestes casos, a não ser destruição e morte, e julgariam que Deus havia retirado o Seu cuidado destas suas criaturas; e todavia, Sua providência foi mais zelosa em relação a eles no limite dos perigos que enfrentaram, dos quais Ele os libertou de tal forma (e durante eles, os assistiu), que Sua glória, que é Sua misericórdia e bondade, apareceu e sobressaiu-se mais, depois de seus problemas, do que se eles tivessem sucumbindo neles. E por esta razão, Eu não meço a verdade e favor de Deus pelo fato de ter ou não necessidades físicas, mas pela promessa que Ele fez para Mim. Assim como Ele é Imutável, também são a Sua Palavra e promessa - as quais, Eu creio, Me apego e Sou fiel, independentemente do que possa vir externamente ao corpo”.

Nesta resposta de Cristo podemos discernir quais armas devem ser usadas contra nosso adversário, o diabo, e como devemos refutar seus argumentos, que, com astúcia e malícia, ele faz contra os eleitos de Deus. Cristo poderia ter repelido Satanás com uma palavra ou pensamento, ordenando-o calar, como Aquele a quem todo poder foi dado no céu e na terra. Mas foi agradável à Sua misericórdia, nos ensinar como usar a espada do Espírito Santo, que é a Palavra de Deus, na batalha contra nosso inimigo espiritual. O texto da Escritura mencionado por Cristo encontra-se no oitavo capítulo de Deuteronômio. Foi dito por Moisés, um pouco antes de sua morte, para firmar o povo na misericordiosa providência de Deus; pois no mesmo capítulo, e em outros depois deste, ele avalia a grande luta, os diversos perigos e as necessidades extremas que eles tiveram que suportar no deserto, no período de quarenta anos; e quão constante Deus tinha sido em mantê-los e em cumprir Sua promessa, conduzindo-os através de todos os perigos até a terra prometida. E assim, este texto da Escritura responde, mais diretamente, às tentações de Satanás, pois Satanás raciocina deste modo (como mencionei antes): “Tu estás em pobreza e não tens provisão para sustentar Tua vida. Isto prova que Deus não considera e nem toma conta de Ti, como Ele faz com os Seus filhos escolhidos”. Jesus Cristo responde: “Teu argumento é falso e vão, pois pobreza ou necessidade não excluem a providência ou cuidado de Deus, os quais são facilmente provados pelo exemplo do povo de Israel, que no deserto, muitas vezes, necessitou de coisas necessárias ao sustento da vida e, por carecerem delas, invejaram e murmuraram. Apesar disto, o Senhor nunca retirou deles Seu cuidado e providência, mas, em conformidade ao que uma vez falou, a saber, que eles eram Seu povo peculiar, e em conformidade a promessa feita a Abraão e àqueles que saíram do Egito, Ele continuou sendo Seu guia e condutor, até que os colocou na tranquila possessão da terra de Canaã, não obstante a grande debilidade e as diversas transgressões do Seu povo”.

Assim, nós somos ensinados, por Jesus Cristo, a repulsar Satanás e seus assaltos pela Palavra de Deus e a aplicar os exemplos de Sua misericórdia, mostrada a outros antes de nós, para nossa alma nas horas de tentação e nos tempos de nossas tribulações; pois aquilo que Deus faz a alguém em determinada época, cabe a todos que confiam e dependem Dele e nas suas promessas. Por esta razão, por mais que sejamos assaltados pelo nosso adversário Satanás, encontramos, na Palavra de Deus, armadura e armas suficientes.

A principal astúcia de Satanás é atormentar aqueles que começaram a abandonar seu domínio e a declarar inimizade contra a iniquidade, com diversos ataques, tendo como objetivo colocar em suas consciências, divergências entre eles e Deus, para que eles não descansem e repousem nas seguras promessas de Deus. E para conseguir isto, ele usa e inventa vários argumentos. Algumas vezes ele chama à lembrança deles, os pecados de sua juventude ou aqueles que cometeram no tempo de cegueira. Frequentemente ele objeta a ingratidão deles em relação a Deus e suas presentes imperfeições. Através de doença, pobreza, tribulações nos seus lares, ou pela perseguição, ele pode alegar que Deus está zangado e não liga para eles. Ou pela cruz espiritual, que poucos sentem e menos ainda entendem sua utilidade e proveito, ele poderia levar os filhos de Deus ao desespero e, através de infinitos meios mais, ele anda ao redor como um leão que ruge, para minar e destruir nossa fé.

Mas é impossível para ele prevalecer contra nós, a menos que nós, obstinadamente, nos recusemos a usar a proteção e a arma que Deus tem oferecido.

Os eleitos de Deus não podem recusá-la, mas buscar pelo seu Defensor quando a batalha estiver mais acirrada, pois os soluços, gemidos e lamentações de tal luta (vencer o medo, as súplicas por persistência), são a busca incontestável e certa de Cristo, o nosso Campeão. Não recusamos a arma, embora algumas vezes, por debilidade, não a usemos como devêssemos. É suficiente que seus corações sinceramente clamem por força maior, por persistência e pelo livramento final de Cristo Jesus.

Aquilo que carecemos, Sua suficiência supre; pois é Ele que luta e triunfa por nós.

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Nota sobre o Autor: John Knox foi o grande reformador da igreja na Escócia, contemporâneo de João Calvino e reconhecido pelo Dr. D.M. Lloyd-Jones como o “fundador” e o maior dos puritanos. Não é a toa que sua figura desponta em meio a Calvino e Farel na Placa Memorial a Reforma que se encontra na cidade de Genebra (Suíça). Para melhor conhecer este reformador, leia as páginas 268 a 288 do livro Os Puritanos – Suas Origens e seus Sucessores – Editora PES.

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Adaptado do site da ARPAV – Associação Reformada Palavra da Verdade. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

A gloriosa doutrina da “Eleissantificação”!


“Como também nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele, em amor” (Ef 1.4).

     É fato notável que muitos dos murmuradores das Doutrinas da Graça nos acusem de pregar uma salvação “fácil”, que, no entender deles, exclui a santificação pessoal que todo genuíno crente em Cristo deve possuir. Expressões como “predestinação”, “eleição soberana” e “uma vez salvo, salvo para sempre” fazem doer aos ouvidos daqueles que defendem a máxima: “Deus é Soberano, mas temos que fazer nossa parte na salvação!”. E seguem-se murmurações de todo o tipo, tais como: “Se já estou predestinado mesmo, pra quê me santificar?”. A esses, digo: “Não murmureis entre vós”, pois “Ninguém por vir a mim (Jesus), se o Pai que me enviou não o trouxer, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.43,44).

     Por outro lado, também é manifesto que grande parte dos defensores do que chamamos “calvinismo” são uma contradição em si mesmos, pois o testemunho de seus lábios é abafado pelo mau testemunho gritante de seus atos. Ensinam as Doutrinas da Graça, e podem fazer isso com uma maestria invejável, mas são capazes de causar escândalos abrasadores contra a Igreja de Cristo através de sua vida pública ou privada. Em suma, eles ensinam a Eleição, mas se esquecem de que ela anda de mãos dadas com outra doutrina tão verdadeira quanto: a Santificação.

     Eu não diria que são doutrinas irmãs, mas casadas. Sim, pois irmãos podem viver suas próprias vidas separadamente, embora partilhem dos mesmos pais e genes biológicos. Não é assim com a Eleição e a Santificação. Elas são casadas; são parte uma da outra; se uma cair, a outra ajuda a levantar e estão sempre defendendo e afirmando uma a outra. Usando o simbolismo de “uma só carne”, eu diria que são “uma só doutrina” – e a chamarei Eleissantificação!

     Vejamos, pois, o que essa doutrina ensina:

1.  A Eleição é uma verdade, e ela precede a santificação.
O fato de haver defensores da predestinação que nunca nasceram de novo não a exclui como legítima. A escolha soberana e incondicional de Deus quanto à salvação é uma verdade que percorre toda a Sagrada Escritura, de capa a capa, confirmando a Sua misericórdia para com aqueles que eram indignos do Seu favor e perdão. Ele poderia ter deixado toda a humanidade perecer por causa do pecado, tal como fez com os anjos que pecaram (Jd v.6), e ainda assim continuaria sendo Justo. Contudo, em Seus insondáveis propósitos, deu outra chance ao homem e resolveu acolher debaixo de Suas asas a todos aqueles que se voltassem para Ele com arrependimento. Ele mesmo providenciou o resgate e Ele mesmo os trouxe pelo Seu Espírito, sem que houvesse qualquer mérito ou qualidade neles. Ele também prometeu santificá-los e guardá-los em Seu amor, chamando-os “santos”. Como já foi amplamente ensinado por outros expositores da Bíblia, somos santos por causa da eleição, e não o contrário. O texto que usamos como base (Ef 1.4) diz claramente que Ele nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo “para que fôssemos santos” e não “porque fôssemos santos”. E isso concorda com 1 Tessalonicenses 2.13: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade”.

2.  A Santificação também é verdadeira e “prova” a eleição.
No meu entendimento, não há nenhuma “prova” de que alguém é escolhido por Deus, a menos que ele demonstre uma vida de santidade. Não falo aqui de legalismos e pretensa espiritualidade, mas de piedade real. De vida com Deus; de não se conformar com o mundo, mas ser conformado à imagem do Filho de Deus – pois para tal coisa fomos predestinados (Rm 8.29). Quando Moisés anunciou a Israel sua eleição (embora ela seja relativamente diferente da Escolha da Igreja), o legislador deixou bem claro que “povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra” (Deuteronômio 7.6). Penso que quem afirma: “Sou um dos eleitos de Deus” e vive uma vida de pecado e rebeldia, além de entristecer o Espírito Santo, deve causar risos em Satanás. Ó homem, se realmente és um eleito, prove isso por suas ações! Saiba que a santificação convém àqueles que foram comprados por Jesus “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados” (Colossenses 3.12 a). Como diz o hino: “Nós fomos já eleitos/ O Céu pra desfrutar/ Também, por Deus, aceitos/ Pra nunca mais pecar...” (Harpa Cristã, nº 266).

3.   O crente deve se santificar, através da graça de Deus.
“Os pés dos Seus santos guardará”, já louvava Ana (1 Sm 2.9). O Senhor preserva os Seus filhos, para que nunca pereçam nem sejam arrebatados de Suas mãos. Contudo, também é dever nosso lutar contra a carne e o pecado. Nesse ponto, concordo que o salvo coopera com Deus, no processo de santificação. Ainda assim, não há qualquer mérito humano, visto que até para nos santificarmos precisamos da assistência do Santo Espírito. Nem mesmo aquele que nasceu de novo consegue, por suas próprias forças, permanecer de pé durante todo o caminho para o céu. Ele precisa do auxílio do Salvador, que está sempre disposto a socorrer o necessitado. Costumo brincar que Deus fez uma armadura e nos revestiu com ela (Ef 6.10-20), mas nós devemos poli-la com o Óleo do Espírito, para que brilhe à luz de Cristo. Devemos ser santos, porque Ele, que nos escolheu, é Santo. E sem santificação ninguém verá o Senhor – nem calvinistas, nem arminianos, nem eu, nem você! (Hb 12.14).

     Portanto, amado leitor, creia na gloriosa doutrina da “Eleissantificação”. Ela glorifica a Deus e consola a todos aqueles que pensam que não há mais jeito para o seu caso. Mesmo quem vive aprisionado nas algemas do pecado pode ser, hoje mesmo, livre por meio da graciosa misericórdia de Deus e ser feito santo para a glória de Deus. Será um prazer ouvir de Seus lábios, naquele Dia: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34).


Pedro Henrique Martins


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Como “me reformei”



Clóvis Gonçalves

Peguei-me pensando sobre o que escrever para o dia 31 de outubro, “dia santo” dos reformados. Poderia falar de Lutero, Calvino, Zwinglio, Meno Simons... Mas resolvi falar de alguém menos importante: eu. O que eu tenho a ver com essas pessoas? Quase nada, além da admiração e o fato de que creio em quase tudo que eles creram. E como passei a crer nisso é do que trata este post.

Como alguns sabem, fui chamado numa igreja pentecostal, onde sirvo até hoje. Fato que causa certa estranheza tanto a calvinistas como a pentecostais. Como alguém pode ter um pé na Rua Azuza e outro na distante Genebra?

Quando eu fui trazido à fé, aos 17 anos, ninguém me ensinou que existia um livre-arbítrio e nem que a salvação poderia ser perdida. Comecei a ler a Bíblia e a convicção formada por ela era de que ninguém poderia ir ao Senhor sozinho e que uma vez que fosse salvo, seria preservado pelo Senhor. Quando alguém disse que a salvação poderia ser perdida, pensei ter lido a Bíblia de forma errada.

Já quanto a eleição, eu lia na Bíblia, mas não entendia muito bem, e assim não tinha uma posição a respeito. Foi quando me deparei com uma lição de escola dominical da CPAD em que o autor apresentava a explicação da eleição sob a ótica da fé antevista. A explicação me pareceu superficial e foi ali que, pela primeira vez na vida, ouvi falar em calvinismo. De forma negativa, é claro. Depois disso, li um artigo sobre a eleição, em que a posição defendida era a posição reformada, embora nela não aparecessem termos como calvinismo e arminianismo. A explicação não me agradou muito, mas me pareceu mais de acordo com o que eu tinha lido na Bíblia. Como tinha presenciado uma discussão entre dois pastores, na qual criticavam o calvinismo, senti um certo desconforto por tender para uma posição até então só criticada.

A essa altura eu era um calvinista de três pontos, embora nunca tivesse ouvido falar que havia pontos ou que eram cinco. Eu nunca tinha lido nada sobre a controvérsia entre arminianismo e calvinismo e as referências ao segundo eram todas negativas até então. Foi quando comecei a ter acesso a literatura reformada.

Li sobre a chamada eficaz e confesso que mais que a argumentação, o que me fez aceitá-la de imediato foi a minha experiência de conversão. Decididamente, eu não “fui à frente”, resisti e resisti com todas as minhas forças. Até que me vi em lágrimas recebendo a oração, sem sequer atinar como fui parar ali. E, desde então, o Senhor tem me segurado e sustentado.

Quanto ao ponto faltante, a redenção particular, eu simplesmente disse: jamais acreditarei nisso. E passei anos lutando contra ela. Até que não mais podendo negá-la, rendi-me, mas a contragosto. Até que li um livro que expunha os argumentos bíblicos e entendi como a redenção específica glorifica a Deus mais que a redenção universal e então passei a amar essa doutrina.

Num processo que levou anos, em que alternei aceitação tranquila com fortes lutas internas, tornei-me um calvinista. Mas não manifestei isso a ninguém. Era uma espécie de calvinista secreto. Até que numa reunião de pastores, fui traído pelos meus comentários e acabei sendo confrontado. Alguém me olhou firmemente e perguntou: “Você acredita na predestinação?!”. Não admitir seria mentir e negar a verdade. Então “saí do armário” das minhas convicções pessoais.

Graças a Deus, estou numa igreja arminiana na qual um calvinista é apenas mais um crente salvo por Jesus.


[Publicado originalmente no blog Cinco Solas]

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Para todos aqueles que não querem fazer um concerto com Deus nas águas do batismo, apesar de estarem continuamente congregados...


O novo nascimento é o que leva a pessoa à fé, ao arrependimento e consequentemente às águas do batismo.

Eu não acredito que um crente nascido de Deus, convencido pelo Espírito Santo, livre do poder do pecado que dantes o dominava, regenerado pela palavra da vida, convertido e convicto da sua fé em Cristo ficará muito tempo sem descer  nas águas do batismo caindo em grandes e tenebrosos pecados de forma livre e consciente, sob a máxima “não sou batizado mesmo”.

Pelas Escrituras vejo que os que nasciam de Deus eram imediatamente batizados, com pouca ou nenhuma demora.

Posto isto acredito que muitos nascem de Deus no momento do seu batismo, ou em alguns dias antes quando decidem tomar esta decisão em suas vidas.

Não acredito no novo nascimento de pessoas que se negam  em descer nas águas e ficam com pretexto de pecarem à vontade por não serem batizados.

Fé sem obras é morta e uma fé morta é uma fé falsa e fingida.

Mas é um gravíssimo erro da pessoa, após pecar à vontade, pensar que o batismo lhe imputara justiça diante de Deus. O tal que assim acredita somente tomou um banho d’água, continua cheio de pecados e com as vestes sujas, pois a nossa justiça vem de Deus pela fé no Redentor e não naquilo que fazemos ou deixamos de fazer.

Há exceções, pessoas que sofreram o novo nascimento depois do batismo.

Mas o batismo em si não ajuda em nada. Se não nascer de novo não vai crer, não vai se arrepender e não vai se batizar.

E caso se batize não significa necessariamente que nasceu de Deus.

E se nasceu de Deus vai se batizar.

Se não der tempo de passar pelo batismo, a sua alma estará salva, pois não é o cumprimento do mandamento em si que salva a nossa alma. Esta ordenança nos remete para uma nova esfera espiritual com Cristo e Sua igreja, mas não salva a alma. É também uma forma de declarar ao mundo a nossa morte com o Senhor e consequente ressurreição com Ele, um simbolismo e um ato de fé, haja vista a responsabilidade de quem O obedece por estar confessando ser uma nova criatura em Cristo - daí a importância do mandamento.

Portanto, se após receber o conhecimento da verdade você continua pecando deliberadamente sob o pretexto de não ser batizado estará tão somente aumentando a sua parcela de responsabilidade e culpa perante Deus. Pior do que isso é achar que o batismo lhe imputara justiça apagando todas as suas injustiças dantes praticadas.

Desta maneira, você coloca a sua obediência pessoal à parte da obediência e da perfeita justiça de Jesus Cristo dando maior valor àquilo que você faz em detrimento daquilo que Cristo fez para redimir o homem, isto é, por meio do Seu Sangue justificá-lo perante Deus quando o tal Nele deposita verdadeiramente a sua plena confiança e esperança - é justiça com preço de sangue.

Pense nisso!


[Texto escrito por Hélio, do blog DoutrinaCristã]

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Os perigos do fanatismo evangélico


João Paulo M. de Souza

As Escrituras Sagradas, em nenhum momento, fomentam os costumes esquisitos que podem ser observados na vida de muitos crentes. Tem gente que vê a "mão" do Diabo em tudo, até mesmo quando leva uma topada na rua. Por outro lado, os anjos são, por muitos e muitas, “vistos” a torto e a direito, voando por aí. Parece até que esses seres celestiais não têm o que fazer. A bem da verdade, existem inúmeras aberrações comportamentais e teológicas no meio dito evangélico.

Muitos pensam que a Bíblia é um livro de ensinos exagerados. Por exemplo: “O crente deve orar vinte e quatro horas por dia, sem parar, conforme o que parece dizer 1 Tessalonicenses 5.17?” Não! Você já viu alguém, conscientemente, orar dormindo? Ou fazer alguma atividade de alto risco e ficar orando concomitantemente? O que Paulo orientou aos irmãos de Tessalônica foi que eles cultivassem uma vida "constante" de oração.

Outras pessoas, sobretudo quando estão no púlpito, querem que o auditório em peso seja como elas, que gritam, berram, chiam, chilreiam, gemem etc. Que ingenuidade! Deus não quer que seus filhos sejam cópias em série de quem quer que seja. É verdade que todos nós formamos um só Corpo em Cristo, “mas individualmente somos membros uns dos outros” (Rm 12.5). Até Deus respeita a individualidade na coletividade. Quem somos nós para contraditar essa verdade?


Você também já observou que, em nosso meio, existem aqueles e aquelas que "adoram" falar de anjos? É anjo aqui, ali, acolá, voando, descendo, subindo etc. É verdade que eles existem. “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1.14). Porém, muitos aderem ao fanatismo, chegando a falar tanto sobre esses seres angelicais, que se esquecem de adorar ao verdadeiro Deus (Ap 22.8, 9).

Conheço crentes que passam o dia inteiro exaltando a luta do bem contra o mal, num tipo de maniqueísmo miserável. Ora, Deus não é o Soberano? Isto quer dizer que o Inimigo luta contra a Igreja, porque contra o Senhor nada pode fazer. Na verdade, para que o Diabo e seus adeptos possam fazer alguma coisa contra os filhos de Jeová, é preciso que peça permissão ao Todo-poderoso (Jó 1, 2; Mc 5).

Finalmente, poderíamos também falar dos abusos no uso dos dons espirituais, do “xiismo” embutido em alguns usos e costumes, das nuances nas expulsões de espíritos, nas superstições deploráveis etc. Entretanto, esses desvios deixaremos para uma outra oportunidade, caso, é claro, Deus no-la conceda.

[Extraído do excelente blog Palavra Viva e Eficaz].


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dois patinhos na lagoa...


Pois é, meus amados! Hoje, pela misericórdia de Deus, completo 22 anos de vida! Eu me considero alguém privilegiado e abençoado pelo Senhor, pois, ainda que eu não mereça, Ele tem feito coisas grandiosas em meu favor – eu jamais conseguiria agradecê-Lo à altura! Apesar de todas as tribulações que me ocorreram durante esse tempo, nada me alegra mais em saber que Jesus está cuidando de minha vida em todos os momentos. Obrigado, meu Senhor!

Há um ano, visitei meu amado pai no hospital e, horas depois, tive a notícia de que ele estava com câncer. Um mês e nove dias depois ele veio a falecer, deixando muita saudade... Mas, nem por isso, o meu aniversário é sinônimo de tristeza, pois vejo a poderosa mão de Deus em todas as coisas; Ele deu, e Ele o tomou – Louvado seja o Nome do Senhor!

Assim, agradeço a todos os familiares, irmãos e amigos que nos acompanham aqui no blog, e rogo vossas orações em meu favor e em favor de minha família! Amo vocês de todo o meu coração!


Um forte abraço,

PH


Joias raras: